Tratamento das Varizes

Quais são os melhores tratamentos

Tratamento de Varizes

Engana-se quem pensa que varizes são um problema exclusivamente feminino. Apesar de a incidência ser maior entre as mulheres, os homens também sofrem com isso. E, ainda que boa parte das pessoas procure tratamento por motivos estéticos, a insuficiência venosa pode revelar situações mais sérias de circulação e levar à restrição dos movimentos. “As varizes podem influenciar a saúde de forma mínima ou de forma muito expressiva”, alerta o cirurgião vascular Ricardo Aun, 62 anos, que trabalha há mais de três décadas no Hospital Israelita Albert Einstein e também é professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

One Health Mag | Muita gente procura tratamento para varizes por questões estéticas. Mas quais problemas mais sérios elas podem indicar?

Ricardo Aun | Algumas varizes nunca se complicam, são só aquelas estéticas mesmo, que muitas pessoas têm. Mas existem varizes que representam insuficiência venosa, que causam transtornos orgânicos e funcionais importantes. O que define isso é se a veia tem refluxo ou não. As artérias levam o sangue do coração para a periferia dos órgãos. As veias o trazem de volta. Como nós somos bípedes, ficamos em pé, o retorno venoso se faz contra a gravidade, que pode oferecer resistência quando há problema de circulação. As veias têm um mecanismo de contenção.

Não é um mecanismo ativo de drenagem da perna. De tal forma que, se o indivíduo tiver um refluxo, esta válvula se fecha e o impede. Quando elas estão abertas, o refluxo leva a dores, inchaço, dilatação de veias progressivamente, ou seja, é o que nós chamamos de hipertensão venosa crônica.

EntrevistaOH | E que tipo de problema isso pode causar?

RA | Os grandes problemas que as varizes trazem são, eminentemente, locais. É na perna mesmo. Problemas de movimentação e atrofia. Com o passar do tempo, essas varizes podem aumentar o inchaço, a parte inferior da perna começa a ficar com uma tonalidade mais acastanhada, surgem coceira e feridas muito difíceis de cicatrizar.

OH: Qual a propensão para desenvolver varizes?

RA | As varizes são mais frequentes nas mulheres do que nos homens por vários motivos, mas, principalmente, porque as mulheres engravidam. Na gravidez, o útero comprime as veias que drenam o sangue das pernas. A gestação funciona como fator de predisposição. Obesidade também. Ficar sedentário, sentado o dia inteiro com o pé para baixo, sem ativar a musculatura da perna, também pode dar varizes. Porque um dos mecanismos que fazem com que o sangue volte contrariamente à gravidade é a contração da musculatura da perna. Toda vez que você contrai esses músculos, consegue fazer com que o sangue vá na direção certa. Atividade física é importante. Tentar não ficar parado por horas na frente do computador, procurar se movimentar, andar mesmo.

Os homens procuram menos ajuda porque a questão estética não é essencial para a maioria deles

OH | É um problema mais frequente em mulheres, mas também afeta os homens. Por que eles procuram menos ajuda nesses casos?

RA | Porque a questão estética não é essencial para a maioria deles. Não é tão visível, com os pelos das pernas e o sujeito usando calças o dia inteiro. Eles vão ao médico quando a coisa piora. Se a função está comprometida, até precisam operar.

 

OH | Existe uma forma de prevenir ou, independentemente do que se fizer, quem tem propensão vai desenvolver varizes?

RA | Quem tem propensão não consegue muito prevenir-se das varizes, mas pode se precaver das complicações que elas podem trazer. Fundamentalmente andando e mantendo a boa forma. Qualquer exercício aeróbico é excelente. Musculação também é bom, desde que o indivíduo não exagere na carga. Também usando meias elásticas. Se a pessoa tem tendência, deve usá-las para evitar que a perna inche. Se inchar, fica ainda mais fácil surgirem outras complicações além das varizes.

EntrevistaOH | Com que idade é possível descobrir o problema?

RA | O adulto jovem já percebe que tem problemas de circulação. E, para se precaver de complicações, as dicas são as mesmas. Meia elástica, atividade física, evitar o sedentarismo. Alimentação não influi nesse caso.

 

OH | Que tipo de tratamento o senhor indica normalmente para quem já está em um estágio mais avançado, com problemas de movimentação?

 

RA | Genericamente, as varizes não causam problemas orgânicos sérios. Em primeiro lugar, a pessoa tem que tratar as complicações que elas trazem. No caso de paciente com problemas de úlcera ou feridas por causa destas varizes, obviamente tem de tratar isso antes. Dependendo do grau, o médico pode até não fazer nada – só tratamentos estéticos para remediar a situação. Ou pode tomar atitudes complementares, como associar o uso de meia elástica ou orientar a atividade física. O problema é que os conceitos de varizes e microvarizes se confundem. Quando são varizes mesmo, já instaladas, com insuficiência venosa e refluxo, não fazer nada já não é uma boa ideia. Ou trata-se clinicamente ou cirurgicamente.

Genericamente, as varizes não causam problemas orgânicos sérios.

OH | Com o uso de medicamentos também?

RA | Os remédios não tratam as varizes e sim as complicações que elas trazem. Não são tão eficientes assim.

EntrevistaOH | Hoje, até que ponto os tratamentos são eficazes? Eles evoluíram ou ainda há muito o que estudar?

RA | Reverter, não reverte. Uma vez que a veia está dilatada e tortuosa, ela nunca vai voltar ao que era. O tratamento é para não piorar e não deixar as complicações das varizes aparecerem. Existem tratamentos modernos que visam à retirada das veias não funcionais. Você pode preservar a safena, se ela estiver boa, ou retirá-la, se ruim. Mas retirar, atualmente, não é a questão. A gente usa métodos novos como a radiofrequência, que queima a veia sem precisar retirá-la. Também existe o laser. Só que ele tem efeitos colaterais sérios.

OH | Quais são?

RA | Com a radiofrequência, chega-se a 120 graus para queimar a veia. O laser chega a 1.200 graus. Com ele, pode-se queimar ou tatuar a pele, então, em varizes, ele não é bom para nada. É muito importante chamar a atenção para isso. Há quem use, mas é uma parcela muito pequena dos médicos. É mais o apelo moderno do nome “laser”. As pessoas pensam que não dói. E dói. O tratamento cirúrgico com radiofrequência é o mais recomendado. Para o futuro, vejo a evolução para estes próprios métodos. Não é muito diferente de hoje do que era há muitos anos. O que mudou é o cuidado e a delicadeza com que são tratadas essas varizes. A radiofrequência veio para ficar. É pontual: trata as veias doentes sem mexer nas normais. O laser acaba prejudicando outras veias.

TRATAMENTOS

Escleroterapia com espuma

Indicação: vasinhos.

Como é feita: o médico injeta nos vasos uma espuma à base de glicose e polidocanol, substância que facilita a secagem deles. Alguns especialistas ainda utilizam o aparelho de ultrassom para visualizar os canais e não pegar veias mais grossas.

O lado bom: a densidade da espuma faz com que o medicamento se concentre no vaso, trazendo resultado imediato.

Fique esperta: a ação da espuma torna o tratamento mais agressivo, aumentando o risco de manchar a pele. Por isso, se você é morena ou tem tendência à manchas, converse com o seu médico para saber se deve optar por outra técnica.

Número de sessões: uma.

 

Escleroterapia com glicose

Indicação: vasinhos.

Como é feita: depois de passar um creme anestésico sobre a área que será tratada, o cirurgião vascular ou angiologista (a especialidade que trata o problema) usa uma agulha fina para injetar glicose com concentração entre 50% e 75% nos vasinhos. “A substância fica grudada na parede interna da veia e obstrui a passagem do sangue, deixando-a invisível sob a pele”, esclarece o cirurgião vascular Ricardo Aun. Também existe a crioescleroterapia, que utiliza glicose congelada. O efeito geladinho que ela causa diminui o ardor da aplicação.

O lado bom: o método é antigo, seguro e o mais recomendado pelos especialistas. Permite que você malhe ou use salto alto já no dia seguinte. Além do preço mais baixo, muitos convênios médicos cobrem o procedimento.

Fique esperta: a glicose causa ardor ao ser injetada e as picadas podem deixar hematomas. Nesse caso, é preciso evitar o sol até que as manchas desapareçam, o que pode levar até duas semanas. O procedimento é contraindicado para quem tem diabetes.

Número de sessões: entre cinco e sete, com intervalo de uma semana entre elas.

 

Escleroterapia a laser

Indicação: vasinhos.

Como é feita: a sessão dispensa anestésico e já começa com os disparos do laser Nd:Yag 1064. “A energia é absorvida pelos pigmentos do sangue, aquecendo e queimando os vasinhos de até 1 milímetro de diâmetro.

O lado bom: é uma opção para quem tem medo de agulha – aqui, elas são substituídas por pequenos choques. Na maioria dos casos não surgem manchas após a aplicação. Pode tomar sol.

 

Cirurgia com endolaser

Indicação: varizes.

Como é feita: uma cânula guiada por ultrassom é introduzida na veia de grande calibre e, à medida que ela é retirada, dispara-se o laser. Com isso, a variz seca e se fecha, interrompendo o fluxo sanguíneo e diminuindo complicações na operação. O procedimento pode ser feito com anestesia local ou raquidiana.

O lado bom: a recuperação é mais rápida do que na cirurgia tradicional e a dor menor. “Em geral, volta-se ao trabalho dois ou três dias depois. Porém, se as varizes forem volumosas, o repouso pode chegar a 15 dias”.

Fique esperta: o laser não é indicado para peles morenas ou bronzeadas, devido o risco de manchar, nem para varizes muito grossas. “A energia não consegue fechá-las totalmente e podem reaparecer.

 

Cirurgia tradicional

Indicação: varizes.

Como é feita: trata-se da remoção das veias de calibre grosso que estão dilatadas e, por isso, comprometem a circulação sanguínea e a estética. O cirurgião faz um corte de 1 centímetro no tornozelo e de 2 centímetros na virilha por onde é retirada a safena. Nas cirurgias menores, são feitos cortes tão pequenos que dispensam os pontos.

O lado bom: a maioria dos convênios médicos cobre o procedimento, que dispensa pontos (basta um curativo). O resultado é definitivo.

Fique esperta: você vai ter que ficar de dois a três meses sem tomar sol e usar meia elástica. Por isso, deixe a operação para o inverno. Também é preciso fazer repouso absoluto de quatro a 15 dias e ficar longe da ginástica de dez a 30 dias.

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